Com a Lei Antifumo sancionada pelo governo estadual de SP, os viciados em cigarro passaram a ocupar as calçadas dos estabelecimentos para fumar um pouquinho a céu aberto, desviando das punições. A prática fez nascer um novo problema urbano: o acúmulo de bitucas jogadas no meio-fio, aumentando a sujeira pública e o entupimento de bocas-de-lobo. Mas a criatividade comercial brasileira sempre encontra soluções para ganhar dinheiro com os problemas alheios. Cá está a ultramoderna resposta ao mais recente pesadelo de Gilberto Kassab:
Uns choram, outros vendem lenços
Um tubo de polipropileno expandido (o mesmo material das garrafas plásticas de refrigerante) com uma tampa de rosca. Baratíssimo para produzir em escala, permitindo um altíssimo valor agregado para quem já está acostumado a pagar impostos altíssimos para queimar tubos de papel…
O Cidade Louca fica na dúvida: idéia útil ou, simplesmente, ridícula ao extremo? Imagine andar com um desses na bolsa, pronto para eliminar os resíduos do seu mau hábito em qualquer lugar. Nada mais conveniente…?
O Cidade Louca descobriu o Water Walker, nova diversão para habitantes de shopping center, e logicamente deleitou-se com esse aparato de ridicularização aquática. Uma esfera transparente de material emborrachado, com cerca de dois metros de diâmetro, recebe um candidato a hamster em seu interior hermeticamente selado. A criança feliz pode pular, correr, dar cambalhotas sobre a água, sem afundar (salvo trágico defeito na peça). O engenho permite aos mais religiosos curtir um “momento Moisés”, caminhando sobre as águas, desde tenham muita perna pra manter o equilíbrio…
E agora, com vocês... Homero, o hamster humano!
A petizada se diverte tomando tombos, e os pais aproveitam o confinamento para descansar. Fico me perguntando quando algum louco vai levar isso pela primeira vez à praia e caminhar sobre as ondas (ou fazer boliche com os banhistas)…
Flagramos o momento em que o tratador impede a fuga de um hamster aquático
Nada melhor do que um rápido vídeo (sem áudio) para mostrar esse novo jeito de pagar mico em piscina pública.
Outro dia, ao visitar um amigo meu que mora no interior de São Paulo, me deparei com algo que provou que não só a capital tem o direito de ter o título de “cidade louca”. Afinal de contas, o que faz a loucura não é a cidade, e sim os humanos que a habitam. Vejam o caso desta visão abaixo:
Rural Willis Bigfoot
Defronte a uma loja de temática militar, jazia estacionada uma Rural Willys modificada para mais se parecer com um Bigfoot do que um veículo utilitário. Como se já não bastasse a fachada da loja ser de uma bizarrice sem igual, essa deformidade sobre rodas cumpre bem o seu papel de chamar atenção e gerar um Buzz rentável ao dono da loja. Afinal, quem não tem Hummer, vai de Rural.
Nosso nobre colega Rafael Stocco novamente retrata os costumes comerciais que mais causam estranheza a estes editores. A proposta de compra apregoada no banner é, pelo menos à primeira vista, surreal:
Pagamos bem.
Essa deixou o Cidade Louca realmente de queixo caído. Alguém pode explicar a lógica por trás dessa transação? O que o comprador ganha com isso? (Pois deve ganhar alguma coisa, decerto).
Fim de mês! O bolso aperta, mais ainda em tempos de crise, e os desempregados da metrópole olham com um misto de esperança e temor para a folha seguinte do calendário. Quem virá salvar as contas a pagar? Cioso de seu importante papel no desenvolvimento socioeconômico dos leitores, o Cidade Louca divulga uma interessante oportunidade de geração de renda: um trabalho desafiador e “muito lucrativo”. Basta acompanhar as instruções do cartaz abaixo, fotografado à saída do metrô Vila Madalena:
Dessa vez, nem precisamos do Photoshop
Fica a dúvida, porém: será que o vandalismo aplicado justamente aos números de telefone expressam a raiva e o desencanto de alguém que já tenha passado pela experiência?
Dizem os marqueteiros que o apelo emocional, “olho no olho”, é o mais eficiente. O curador deste jardim, preocupado com a sujeira arremessada pelos transeuntes, resolveu dar voz à vítima. Dizem os plantófilos que entender as emoções de uma planta requer fina sensibilidade. Sendo assim, para transmitir a angústia vegetal com clareza ao povaréu embrutecido da metrópole, nada melhor que estampar a mensagem em bom português.
Não é só o Príncipe Charles que fala com plantas...
Pela primeira vez, o Cidade Louca se apóia na visão de dois leitores para demonstrar uma mesma tese: o cão é a espécie dominante na megalópole. Cães influenciam seus donos a influenciar a arquitetura alheia, coisa que nenhum outro bicho faz. Nosso estudo de caso? As padarias com estacionamento para cães.
Deixo a argúcia dos nossos leitores contumazes Letícia Moraes e Alexandre “CB” Tauszig mostrarem aos nossos leitores esse trend arquitetônico ainda restrito aos celebrados panifícios da cidade. Podem apostar: cedo ou tarde um Sig-Bergamin-wannabe vai roubar a idéia e transferi-la para residências abastadas que sonhem em ser fotografadas pela revista Caras.
Letícia demonstra a utilização inteligente do espaço disponível…
Um par de vasos que late
…e CB prova que boas práticas começam pela boa sinalização.
A crise financeira mundial força até velhos conhecidos do grande público a buscar alternativas de trabalho. Afastadas do sucesso, marionetes desempregadas (hoje substituídas pela onipresente computação gráfica) tomam o rumo de figuras como Narjara Turetta e ex-BBBs: um bico aqui, outro ali. Mas os grilhões que atrelam seus pés ao serviço indicam que o velho mestre deve ser submetido a condições de trabalho escravo. Convenhamos, seu sabre de luz já não é mais aquele…
O Cidade Louca inicia suas atividades em 2010 justamente no dia do aniversário de São Paulo, esta megalópole que tanto nos inspira. Só aqui se produzem imagens bizarras em quantidade suficiente para nunca nos despedirmos dos leitores!
Como todo paulistano provavelmente já concluiu, nunca antes um mês festivo foi comemorado debaixo de tanta água — e ainda tem gente que reclama que São Paulo não tem praia! Pois bem, “mar” já tem em praticamente todo canto da cidade… é só esperar o fim de tarde para a maré subir nos córregos e grandes avenidas. E se isso não for suficiente, já há restaurante convidando a conhecer um milagre da engenharia civil: o oceano indoor. Vejam só:
Neste último post de 2009, os editores do Cidade Louca vêm a público agradecer pelo apoio de seus leitores e colaboradores. Sem vocês pra ler o que escrevemos, comentar as imagens que encontramos e — o mais importante — rir da vida junto com a gente, fazer este blog não teria a menor graça!
A imagem abaixo, tirada no bairro das Perdizes, de certa forma traduz nosso desejo: que o ano de 2010 seja um pouco menos louco, e as pessoas, um pouco menos atarantadas e um pouco mais doces. Afinal, o dia em que os seres humanos aprenderem a conviver sem loucura será o dia feliz em que encerraremos nossas atividades de cronista!
Enquanto isso não acontece… boas festas a todos e até o ano que vem! Voltaremos à ativa a partir de 5 de janeiro.