Sorria se você se identifica com a placa

Final de semana passado, centrão de Toronto, saída do cinema: cruzo com o casal de pseudo-punks. Ele, com gel no cabelo e tênis Adidas; ela, fazendo um tererê “básico”. Cena comum, não fosse o cartaz do cidadão tirando uma onda e aproveitando para pedir um trocado.

Punk feliz...

Punk feliz...

Vi algumas pessoas passando, sorrindo e dando algumas moedas. Pensei comigo: “naturalmente se masturbam”. Ofereci 50 centavos, tirei a foto para o Cidade Louca e, é claro, não sorri.

A fábula da cegonha húngara

O amigo e leitor Alexandre Tauszig tirou de seu álbum de viagens uma história que amplia a cobertura geográfica do Cidade Louca, marcando uma nova fronteira oriental para este site. Nas palavras dele próprio:

Em viagem com meu pai à Hungria, anos atrás, vi um emaranhado de galhos em cima de uma torre de alta tensão e estranhei. Perguntei a meu pai o que era aquilo. Com a maior simplicidade do mundo, ele respondeu: “Você nunca viu um ninho de cegonha?”.

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Palha de aço pra melhorar a recepção da antena?

Foi então que reparei no ser bicudo que ali se encontrava, devidamente fotografado para confirmar que a natureza sempre tenta dar um jeito de se adaptar às inovações da humanidade.

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Uma insólita moradora de rua

Mais tarde descobri que as cegonhas são comumente causadoras de entupimentos de chaminés, entre outros incidentes urbanos. Como se vê, se os paulistanos têm problemas com a sujeira onipresente dos pombos, em outras partes há risco de levar coisa bem maior no teto do carro.

O passarinho de San Lauhan

Nosso assíduo leitor e amigo Rafael Stocco registrou pelo celular um momento de solidariedade em um dia comum em São Paulo. Funcionários da prefeitura arriscando a vida no resgate de animais indefesos.

Garis solidários

Garis solidários

Stocco explica: “Eu estava passando na rua, uma travessa da Rua Nossa Senhora da Saúde ali pertinho de casa e vi a cena. Um gari trepando na árvore para salvar um passarinho…parece que o passarinho não parava de piar e resolveram ver o que acontecia com ele. Como meu celular é meio ruim, a melhor resolução que consegui foi essa. Por fim, o passarinho foi salvo e o dono da calçada onde brotava a árvore pegou-o pra cuidar”.

Olha o gari lá na árvore

Olha o gari lá na árvore

Uma história bonita e com final feliz. Mas aí eu vejo a placa do cabeleireiro na foto e fico sem entender…”San Lauhan”?? Meu deus do céu, será que o dono do estabelecimento quis dizer o que estou pensando??

Compensação Ambiental

Créditos de carbono, sustentabilidade, preservação do meio ambiente e energia renovável são assuntos que sempre estão em pauta, dado o carinho com que o homo sapiens cuida de seu planeta. Em nossa Cidade Louca, não faltam exemplos do que podemos fazer para contribuir com a causa. Veja a gambiarra abaixo, flagrada em uma loja de conveniência dentro de um posto de combustíveis:

ar_condicionado

Refresca o corpo e rega a planta

Vejam só que fenomenal: para compensar o fato do ar condicionado gastar uma energia absurda para refrigerar um ambiente, os donos do local resolveram utilizar a saída de água dele para regar o jardinzinho que fica ao lado da loja. Agora sim eles podem ficar relaxados, refrigerados e com a consciência limpa de que estão fazendo o melhor para ajudar o planeta.

GEILZZSON BOND. A saga continua

Depois do meu post Meu nome é BOND. GEILZZSON BOND parei de soletrar James e passei a colecionar exemplos sobre a forma como o meu nome é escrito por meus interlocutores.
O primeiro exemplo é esse abaixo anotado por uma garçonete que tirou o meu pedido de almoço. Notem a rasura logo acima do nome, ou seja, o nome que saiu é uma segunda tentativa.

Jhamis

Jhamis? Isso é árabe?

Outro exemplo fantástico é o nome da loja abaixo que encontrei em uma galeria no centro. Tive que parar, voltar e tirar a foto.

Jeymes

Atenção, Jeymes é com Y não com i, nunca se esqueçam disso.

Essa versão com Y eu nunca tinha visto. Sensacional.

Quem ama, aluga

Era pra ser um lugar discreto. Era pra ser um espaço alheio aos holofotes, condizente com as necessidades de anonimato dos frequentadores. Enfim, era pra ser uma fachada bem urdida de respeitabilidade. Não deu certo…

Contemplem a perfumaria que encobre uma locadora de vídeos… interessantes. Bem, ficaram realmente interessantes quando o dono, provavelmente ávido por reduzir a queda de receita ocasionada pela concorrência da Internet, resolveu escancarar o negócio para atrair mais fregueses. E colocou esta discretíssima faixa na entrada, deixando claro a todos os frequentadores qual é a verdadeira vocação desse ponto comercial próximo ao metrô Vila Madalena.

Você gosta de amadoras?

Esse papo de "amador" é tudo perfumaria.

Reparem que, na parede esquerda do imóvel (centro da foto), começam a aparecer as prateleiras da locadora — instalada no fundo da loja, atrás da estante intitulada “Le Sénéchal”. O estoque de DVDs provavelmente é bem pequeno. Mas considerando a produção “caseira” desse material, a variedade de títulos não deve ser muito grande, mesmo… a não ser que exista bem mais gente exibicionista nesse mundo do que eu seja capaz de imaginar.

O quê? Você não sabe o que são “vídeos amadores”? Então está na cara que você não tem idade legal para compreender todas as facetas da Cidade Louca. Vá fazer uma visita à Wikipédia e só volte quando tiver aprendido!

Stairway to Heaven

Outro dia, em uma famosa loja de materiais de construção, encontrei algo que posso considerar a coisa mais inútil já feita pela mão do homem.

Stairways to Heaven

Cuidado! Escada somente para demonstração, não é permitida sua utilização

Não, não estou falando da escada que não vai para lugar algum. Isso é uma escada de demonstração, tá na cara. Estou falando da placa que "explica" que a escada é apenas demonstração e não deve ser usada. Pô, minha gente. Se a loja não quer que ninguém a “use”, é só colocar uma corrente para impedir o acesso e pronto. Não insultem minha inteligência!

Acanhado, eu?

São Paulo vista do alto traz noções interessantes de urbanismo para quem se dispõe a investigar. Alguns edifícios são verdadeiramente privilegiados na guerra pelo espaço físico, como é o caso desse prédio marrom no centro da foto. Seu bloco de fundos está completamente cercado de vizinhos muito próximos, o que garante benefícios especiais aos habitantes: ausência de luz solar (quem gosta de sol é árvore), circulação de ar restrita (quem gosta de vento é bandeira) e pouca privacidade (“eu já tô no Orkut, mesmo”).

Corretor que consegue vender isso ganha o triplo de bônus

Mas veja, o sr. estará totalmente protegido do barulho da rua!

Dá uma vontade enorme de morar aí, não?

É vedado o baixo calão

Figura sempre controversa, o síndico de edifícios residenciais algumas vezes deixa seu estilo administrativo devidamente afixado aos corredores por onde o Cidade Louca passa. Um exemplo: esta placa de alumínio, registrada num condomínio da Zona Oeste pelo amigo e leitor Alexandre Tauszig. Perdido entre a comunicação enfática e a polidez excessiva, o texto acaba ganhando “status” de publicável neste site:

Por favor, seja educado: não discuta em voz elevada

Por favor, não discuta em voz elevada

Reparem na referência à Convenção do Condomínio, redigida com precisão nanométrica.

De tirar o chapéu

São Paulo, como muitos atestam, é a cidade brasileira onde as novidades chegam primeiro e as tradições levam mais tempo para ir embora. Escondido numa rua do Centrão existe o que provavelmente é a última loja especializada em chapéus masculinos do País.

Entendam bem: não se trata de reles bonés, caps ou gorros, comuns entre a molecada de hoje em dia. São nobres panamás, boinas, quepes: peças definidoras do vestuário cavalheiresco de um passado que já se mede em décadas. Fábricas semi-artesanais do interior paulista que despacham para clientes em várias partes do mundo reservam grande estoque para brazucas ainda preocupados com largura de aba ou circunferência craniana. Entre esses fabricantes está a empresa brasileira que produziu o chapéu original de Harrison Ford em “Indiana Jones e a Última Cruzada”. Réplicas exatas podem ser vistas na vitrine e levadas para casa!

Sim, você também pode ser Indiana Jones!

Sim, você também pode ser Indiana Jones!

A ancestralidade reinante, marcada pelo cheiro de mofo, prateleiras amontoadas e velhinha cansada e resignada no comando da caixa registradora, tem como ponto alto este instrumento manual fabricado provavelmente em 1890 ou pouco após: um alargador de chapéus. Sim, senhoras e senhores, um alargador de chapéus: robusto construto de madeira maciça que muito se assemelha a um aparato de tortura medieval. Felizmente, sua força implacável só pode ser aplicada contra boinas e assemelhados que teimem em não entrar na cabeça do comprador. Taí um gadget que Apple Store nenhuma do mundo ousaria dispor no catálogo…

Diretamente das câmaras medievais de tortura, apresentamos...

Diretamente das câmaras medievais de tortura, apresentamos...

Assistir a um profissional especializado pondo aquele engenho para funcionar remete o visitante a uma época em que a elegância reinava e o compasso das horas analógicas permitia parar e admirar o movimento (sem pressa… calculado nos dedos…) de um alargador de chapéus.

"Salta um dois-números-maior pro cabeção aqui!"

"Salta um dois-números-maior pro cabeção aqui!"

Confesso que buscava realizar o sonho de finalmente comprar um chapéu para flanar pelas ruas com estilosa proteção para o sol. Vi minhas esperanças arruinadas quando constatei que, em todo o estoque disponível, não havia um chapéu sequer que coubesse na minha cabeça. Revelação do dia: sou “Charlie Brown” demais para os padrões da indústria chapeleira. Só daria certo se eu encomendasse: uns meses para ficar pronto e uma fortuna para custear. Desisti.

Deixei a loja portando na cabeça apenas um incomparável monte de frustração. E, claro, uma gana extraordinária de escrever no Cidade Louca.